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ZAKHORIUM

Sumos sacerdotes, subornos e uma pólis chamada Antioquia

Data

175a.C.

sob Antíoco IV, antes de 167 a.C.data aproximada

Antes de qualquer decreto real, foram sumos sacerdotes judeus que introduziram instituições gregas em Jerusalém, e a disputa entre eles abriu caminho para a intervenção do rei.

História políticaHistória religiosaArte e cultura31.7772°N 35.2350°E
300 a.C.
250 a.C.
200 a.C.
150 a.C.
100 a.C.
Judeus e gregos: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

9 afirmações

01A compra do sumo sacerdócio

O cargo mais poderoso da sociedade da Judeia era o de sumo sacerdote, que parece ter sido restrito à família dos oníadas. Um sacerdote chamado Jasão deslocou Onias III subornando Antíoco; anos depois, Menelau ofereceu seu próprio suborno, pago com o tesouro do Templo, o que indignou a população de Jerusalém.

02Um ginásio em Jerusalém

02

Jasão fundou em Jerusalém um ginásio, instituição grega de treino físico e intelectual dos jovens. Segundo 2 Macabeus, os jovens passaram a usar chapéus gregos. Que treinassem nus é uma inferência dos historiadores, pois as fontes não o dizem; 1 Macabeus menciona o epispasmo, técnica para ocultar a circuncisão.

04

Jasão queria transformar Jerusalém numa pólis, com todos os privilégios que esse estatuto trazia (direitos para os habitantes do sexo masculino, cunhagem de moedas), e chegou a querer rebatizá-la de Antioquia em honra de Antíoco.

05

Menelau foi além: roubou vasos de ouro do Templo para subornar um oficial grego e vendê-los a outras cidades, e mandou assassinar Onias, antigo sumo sacerdote que o criticava.

03Traição ou pragmatismo?

A adoção de instituições gregas por Jasão e Menelau talvez não fosse um abandono da tradição, como dizem 1 e 2 Macabeus, nem uma reforma religiosa militante, como pensava Bickerman, mas um esforço pragmático para melhorar o estatuto de Jerusalém no mundo helenizado.

Contexto

07

Na era helenística, a identidade grega não dependia em princípio de nascimento: qualquer pessoa disposta a adotar a língua e os costumes gregos podia acessá-la. Isso oferecia ascensão social, mas também era visto por muitos judeus como ameaça às tradições ancestrais e associado à perda de independência e à exploração econômica.

08

Imitar ou não os gregos dependia não só da geografia, mas também da condição econômica (provavelmente só os privilegiados tinham acesso às escolas onde se aprendia grego) e da proximidade de cidades com instituições gregas.

09

Antíoco IV governou o reino selêucida de 175 a 164 a.C.

§ 01Geografia

Onde aconteceu

Coordenadas de gazetteers (Pleiades para lugares antigos; Natural Earth e Wikidata para os modernos) sobre geografia física moderna (Natural Earth). Litorais e o Mar Morto mudaram desde a Antiguidade.
▮ carregando geografia

§ 03Historiografia

O que os estudiosos discutem

Posições apresentadas lado a lado, sem hierarquia, como as relata a fonte. A avaliação da fonte aparece separada.

Debate acadêmico · 01

Por que Antíoco IV perseguiu a prática religiosa judaica?

5 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Instabilidade mental

    Alguns estudiosos

    Antíoco teria sofrido de doença mental. Apoiam a tese sua fama de comportamento bizarro e a piada da época que trocava seu título Epifânio por Epímanes, 'o louco'.

  2. B

    Pretensão divina

    Hipótese mencionada pelos autores

    Como sugere o título Epifânio ('deus manifesto'), ele talvez se considerasse divino e se ressentisse de os judeus não o adorarem, como faria mais tarde o imperador Calígula.

  3. C

    Preconceito antijudaico

    Apião, escritor grego do século I d.C.

    Segundo Apião, Antíoco teria agido indignado com a suposta barbárie judaica (sequestro e sacrifício de jovens gregos). Os autores julgam que o relato revela mais o preconceito de Apião do que os motivos do rei, e notam que antecipa o libelo de sangue medieval.

  4. D

    Motivos pragmáticos

    Outros estudiosos

    O rei teria agido por razões financeiras, políticas ou militares: reafirmar-se depois da humilhante retirada do Egito sob pressão romana, ou obter os recursos do Templo.

  5. E

    Conflito interno judaico

    Elias Bickerman

    Antíoco teria sido arrastado para um conflito entre reformadores cosmopolitas (os sacerdotes Jasão e Menelau) e uma facção religiosamente conservadora. A ideia de proibir a circuncisão e o sábado viria dos reformadores, e a revolta seria antes uma guerra civil.

Avaliação da fontePara Efron, Lehmann e Weitzman, várias dessas teorias têm algum apoio, mas nenhuma é totalmente persuasiva, porque dependem de fontes suspeitas e de muita especulação.

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Elias Bickerman, The Jews in the Greek Age (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1962).

    Encontro judaico com a cultura grega (estudo clássico, segundo os autores já datado) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 87

  • Martin Hengel, Judaism and Hellenism: Studies in Their Encounter in Palestine During the Early Hellenistic Period (London and Philadelphia: SCM Press and Fortress Press, 1974).

    Judaísmo e helenismo na Palestina (estudo clássico, segundo os autores já datado) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 87

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 74; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 74inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 76inspecionar
  7. 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 63inspecionar
  8. 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 63inspecionar
  9. 09Efron, Lehmann e Weitzman, p. 519inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.