Sumos sacerdotes, subornos e uma pólis chamada Antioquia
Data
175a.C.
sob Antíoco IV, antes de 167 a.C.data aproximada
Antes de qualquer decreto real, foram sumos sacerdotes judeus que introduziram instituições gregas em Jerusalém, e a disputa entre eles abriu caminho para a intervenção do rei.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
9 afirmações
01A compra do sumo sacerdócio
O cargo mais poderoso da sociedade da Judeia era o de sumo sacerdote, que parece ter sido restrito à família dos oníadas. Um sacerdote chamado Jasão deslocou Onias III subornando Antíoco; anos depois, Menelau ofereceu seu próprio suborno, pago com o tesouro do Templo, o que indignou a população de Jerusalém.
02Um ginásio em Jerusalém
Jasão fundou em Jerusalém um ginásio, instituição grega de treino físico e intelectual dos jovens. Segundo 2 Macabeus, os jovens passaram a usar chapéus gregos. Que treinassem nus é uma inferência dos historiadores, pois as fontes não o dizem; 1 Macabeus menciona o epispasmo, técnica para ocultar a circuncisão.
Jasão queria transformar Jerusalém numa pólis, com todos os privilégios que esse estatuto trazia (direitos para os habitantes do sexo masculino, cunhagem de moedas), e chegou a querer rebatizá-la de Antioquia em honra de Antíoco.
Menelau foi além: roubou vasos de ouro do Templo para subornar um oficial grego e vendê-los a outras cidades, e mandou assassinar Onias, antigo sumo sacerdote que o criticava.
03Traição ou pragmatismo?
A adoção de instituições gregas por Jasão e Menelau talvez não fosse um abandono da tradição, como dizem 1 e 2 Macabeus, nem uma reforma religiosa militante, como pensava Bickerman, mas um esforço pragmático para melhorar o estatuto de Jerusalém no mundo helenizado.
Contexto
Na era helenística, a identidade grega não dependia em princípio de nascimento: qualquer pessoa disposta a adotar a língua e os costumes gregos podia acessá-la. Isso oferecia ascensão social, mas também era visto por muitos judeus como ameaça às tradições ancestrais e associado à perda de independência e à exploração econômica.
Imitar ou não os gregos dependia não só da geografia, mas também da condição econômica (provavelmente só os privilegiados tinham acesso às escolas onde se aprendia grego) e da proximidade de cidades com instituições gregas.
Antíoco IV governou o reino selêucida de 175 a 164 a.C.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 03Historiografia
O que os estudiosos discutem
Debate acadêmico · 01
Por que Antíoco IV perseguiu a prática religiosa judaica?
5 posições · sem resposta única · sentar à mesa →
- A
Instabilidade mental
Alguns estudiosos
Antíoco teria sofrido de doença mental. Apoiam a tese sua fama de comportamento bizarro e a piada da época que trocava seu título Epifânio por Epímanes, 'o louco'.
- B
Pretensão divina
Hipótese mencionada pelos autores
Como sugere o título Epifânio ('deus manifesto'), ele talvez se considerasse divino e se ressentisse de os judeus não o adorarem, como faria mais tarde o imperador Calígula.
- C
Preconceito antijudaico
Apião, escritor grego do século I d.C.
Segundo Apião, Antíoco teria agido indignado com a suposta barbárie judaica (sequestro e sacrifício de jovens gregos). Os autores julgam que o relato revela mais o preconceito de Apião do que os motivos do rei, e notam que antecipa o libelo de sangue medieval.
- D
Motivos pragmáticos
Outros estudiosos
O rei teria agido por razões financeiras, políticas ou militares: reafirmar-se depois da humilhante retirada do Egito sob pressão romana, ou obter os recursos do Templo.
- E
Conflito interno judaico
Elias Bickerman
Antíoco teria sido arrastado para um conflito entre reformadores cosmopolitas (os sacerdotes Jasão e Menelau) e uma facção religiosamente conservadora. A ideia de proibir a circuncisão e o sábado viria dos reformadores, e a revolta seria antes uma guerra civil.
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Elias Bickerman, The Jews in the Greek Age (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1962).
Encontro judaico com a cultura grega (estudo clássico, segundo os autores já datado) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 87
Martin Hengel, Judaism and Hellenism: Studies in Their Encounter in Palestine During the Early Hellenistic Period (London and Philadelphia: SCM Press and Fortress Press, 1974).
Judaísmo e helenismo na Palestina (estudo clássico, segundo os autores já datado) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 87
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 74; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 74inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 73inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 76inspecionar
- 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 63inspecionar
- 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 63inspecionar
- 09Efron, Lehmann e Weitzman, p. 519inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.