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ZAKHORIUM

Teólogo cristão

Agostinho de Hipona

Vida

354 a 430 d.C.

Defendia que os judeus fossem tolerados como testemunho da verdade cristã; sua posição é provavelmente uma das razões da sobrevivência judaica sob domínio cristão.

O que as fontes dizem

Cada bloco é uma afirmação com fonte. Clique no número para ver a página citada.

5 afirmações

01

Agostinho de Hipona (354 a 430) divergia fortemente dos judeus: julgava que liam mal a Bíblia e que sua dispersão e seu sofrimento eram castigo por terem rejeitado Cristo. Ainda assim, ao contrário de outros pensadores cristãos, não pregava violência: os judeus deviam continuar existindo, mesmo humilhados, para servir de prova viva da fé cristã. Essa visão provavelmente pesou muito para que os judeus sobrevivessem sob governos cristãos até o fim da Idade Média.

02

Houve líderes cristãos empenhados em converter os judeus, às vezes à força, ameaçando-os de expulsão ou morte. Mas, no geral, foi a linha de Agostinho que se impôs, e as comunidades judaicas continuaram a existir, ainda que enfraquecidas.

03

Agostinho (354 a 430), considerado fundador do cristianismo ocidental, fixou a atitude que se tornou dominante. Citando o Salmo 59:12 ('Não os mates, para que meu povo não esqueça'), argumentou que os judeus tinham papel importante na sociedade cristã e deviam ser tolerados como 'testemunhas' da verdade do cristianismo: atestavam a antiguidade da profecia bíblica, que os cristãos liam como anúncio de Jesus.

04

Para Agostinho, a vida dos judeus como minoria discriminada e dispersa provava que haviam sido punidos por rejeitar Jesus e mostrava como é viver sem a graça. Ele contrapunha o judaísmo 'carnal', preso à lei, ao cristianismo 'espiritual', libertado pela graça: o destino judaico era prova viva da verdade da cristandade.

05

Essa construção teológica foi adotada por líderes posteriores da Igreja e traduziu-se, no direito medieval, numa tolerância básica dos judeus, mas não em 'tolerância' no sentido moderno. O papa Gregório I (590 a 604) declarou que os judeus não deviam ser reprimidos injustamente nem sofrer injustiça; o equilíbrio era impor restrições e uma posição inferior sem tratá-los de forma arbitrária.