Poeta e gramático hebraico
Dunash ben Labrat
דונש בן לברטDunash ben Labratgrafia editorial
Vida
c. 920 d.C. a c. 990 d.C.
Antigo aluno de Saadia no Iraque, introduziu a métrica árabe na poesia hebraica e criticou o dicionário de Menahem. Um poema da Genizá é atribuído à sua esposa.
O que as fontes dizem
Cada bloco é uma afirmação com fonte. Clique no número para ver a página citada.
5 afirmações
Dunash ben Labrat (920 a 990), que fora aluno de Saadia no Iraque, é creditado por introduzir a métrica árabe na poesia hebraica. Foi também notável gramático: distinguiu verbos transitivos e intransitivos e identificou os verbos hebraicos como compostos de raízes de três letras. Criticou duramente o dicionário de Menahem, alegando que seus erros levariam à impiedade.
Menahem e Dunash discordaram sobre a adaptação das regras do árabe à poesia hebraica. Menahem achava que não se podiam impor padrões árabes, já que a poesia bíblica não tem métrica discernível e devia ser o modelo; Dunash concluiu, pelo parentesco linguístico entre as duas línguas, que a poesia árabe podia e devia servir de modelo, e criou uma técnica para imitar a métrica quantitativa árabe em hebraico. No fim, a abordagem de Dunash dominou a produção de poemas seculares (e alguns litúrgicos) na Espanha medieval.
A ascensão da poesia hebraica em al-Andalus mostra como os judeus do Islã medieval adotaram os valores culturais da sociedade ao redor e os tornaram seus. A celebração do hebraico foi a versão judaica da celebração islâmica do árabe como língua do Alcorão: gramáticos e poetas adaptaram ao hebraico, língua da Bíblia, o ideal da arabiyya, o árabe como língua perfeita e divina, e o hebraico passou a ser visto como 'língua sagrada'. Os judeus usavam também o árabe, como vernáculo e para escritos filosóficos e científicos.
O conteúdo da poesia hebraica também foi moldado pelas convenções da árabe. Apesar da imagem de uma era profundamente religiosa, grande parte da criação poética era francamente secular: ao lado de esplêndidos poemas religiosos, muitos ainda no livro de orações, celebrava a vida cortesã de al-Andalus, o vinho e o amor. Os leitores modernos se surpreendem sobretudo com o imaginário homoerótico, sinal de que a homossexualidade não era um tabu como na lei bíblica e da influência de uma cultura árabe islâmica que não via problema nessa poesia nem no vinho.
As mulheres que saíam de casa deviam cobrir o cabelo e se vestir com modéstia, mas, ao contrário das muçulmanas, não eram obrigadas a usar véu no rosto. Não ficavam confinadas ao lar: as sinagogas do Cairo medieval tinham galerias femininas e o comparecimento delas parecia comum, embora fossem excluídas da participação ativa no culto. Sabiam em geral as orações hebraicas básicas, mas poucas tinham educação formal, e o estudo da Bíblia e da lei rabínica era privilégio dos homens. Havia exceções, como um poema da Genizá atribuído à esposa de Dunash ben Labrat, de nome desconhecido, e as mulheres iam aos banhos públicos e viajavam, muitas vezes sem o marido.