Nomes dados à Bíblia
Data
200d.C.
séculos III e IV d.C.data aproximada
'Antigo Testamento' é termo cristão, que os judeus rejeitam por definir sua Bíblia a partir do Novo Testamento; 'povo do Livro' foi um nome dado a eles por muçulmanos.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
6 afirmações
01O que significa 'Antigo Testamento'
'Antigo Testamento' é um termo especificamente cristão, que vem da profecia de Jeremias sobre uma 'nova aliança' que os cristãos viram realizada em Jesus. Quando surgiu um cânone cristão próprio, nos séculos III e IV d.C., a parte sobre Jesus (Evangelhos etc.) foi chamada de Novo Testamento, por ser tida como expressão dessa nova aliança, e o resto, a aliança do Sinai, de Antigo Testamento. Os cristãos acreditavam que a aliança do Sinai, restrita a Israel, fora substituída pela de Jesus, estendida a todos os povos. O Antigo Testamento difere da Bíblia judaica também de outras maneiras: ordena os livros de outro modo, e a maioria dos cristãos o conhecia numa tradução grega, latina ou de outra língua, não no hebraico original. A principal razão pela qual os judeus não usam o termo é que ele define o conteúdo da Bíblia hebraica à luz do Novo Testamento, que eles não aceitam como parte de sua Bíblia.
02Por que os judeus não têm Novo Testamento
Os judeus não aceitam o Novo Testamento porque não aceitam Jesus como messias ou filho de Deus. No tempo de Jesus havia judeus que esperavam um messias, um salvador da linhagem de Davi, mas Jesus não correspondia às expectativas de muitos, pois morreu sem libertar os judeus dos opressores. Além disso, o cristianismo primitivo passou a ensinar que, à luz de Jesus, os judeus não precisavam mais seguir as leis de Moisés, o que contradizia o que os judeus tinham por obrigação fundamental da aliança, e havia judeus dispostos a morrer em vez de violá-las. Os autores observam que, nessa época, alguns judeus talvez já esperassem não um, mas dois messias, o primeiro sofrendo ou morrendo antes do surgimento do segundo, e que o sofrimento e a morte de Jesus poderiam ter se encaixado nessa expectativa.
03'Povo do Livro'
O rótulo 'povo do Livro' nasceu como descrição muçulmana dos judeus, mas não só deles: também se aplicava aos cristãos e aos sabeus, grupo definido por seu compromisso com uma escritura. Para os judeus, 'o Livro' é a Torá, que descreve pessoas e eventos que os muçulmanos veem como parte de sua história sagrada, mas num texto que acreditavam ter sido corrompido pelos judeus que o transmitiram. Os judeus e outros assim descritos eram considerados não muçulmanos sujeitos a conversão e, se recusassem, a um status subordinado que incluía um imposto especial, a jizya; se aceitassem os termos, seriam protegidos, e ser 'povo do Livro' era um status melhor do que ser pagão, relativamente falando. Em tempos modernos, os judeus passaram a usar o rótulo para si, esquecendo a conotação negativa que tinha no islã, e hoje o termo às vezes indica o compromisso judaico com os livros em geral, e não com a Torá em particular.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Benjamin Sommer, Jewish Concepts of Scripture: A Comparative Introduction (New York: New York University Press, 2012).
O que a Bíblia significou para os judeus em diferentes momentos · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 61
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 60; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 61inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.