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ZAKHORIUM

Rosenzweig, Fackenheim, Plaskow

Data

1886d.C.

1886 a 2003

Pensadores judeus modernos tentaram permanecer fiéis à aliança do Sinai aceitando a crítica histórica, a experiência do Holocausto e novos valores, com respostas muito diferentes.

Movimentos judaicos modernosFilosofia judaicaHistória religiosa
550 a.C.
500 a.C.
450 a.C.
400 a.C.
350 a.C.
Tornando-se o Povo do Livro: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

6 afirmações

01O desafio

Para os pensadores judeus modernos que se sentem comprometidos com a aliança do Sinai mas aceitam a pesquisa moderna, a revelação do Sinai é um desafio: como entender uma experiência em desacordo com a compreensão científica da realidade? No centro dela há um ser sobrenatural e, mesmo seus aspectos historicamente mais plausíveis, como a existência de um monte Sinai ou de um profeta Moisés, não podem ser verificados. Alguns estudiosos dizem que todo o relato do Sinai é ficção, acrescentada depois à Torá. Além dos problemas históricos, o relato é contradito por experiências e valores modernos. O Holocausto, em que morreram milhões de judeus, seculares e religiosos, questionou o compromisso que Deus assumira com Israel no Sinai. Judeus feministas lutam com a Torá por outros motivos: suas narrativas marginalizam as mulheres, e suas leis e rituais as excluem e podem até ser citados como justificativa para abusar delas.

02Respostas

04

Uma saída foi minimizar a revelação do Sinai como evento histórico e enfatizar seu efeito sobre a mente, como o Sinai é vivido, sentido e lembrado. Para o teólogo judeu alemão Franz Rosenzweig (1886 a 1929), a Bíblia registra algo genuíno, mas pouco importava se os israelitas cruzaram mesmo o Mar Vermelho como diz a narrativa, pois o evento talvez se devesse a um fenômeno climático raro; o crucial eram as percepções psicológico-espirituais, como sentir o nascimento como dádiva vinda de fora de si (o cerne da Criação) ou sentir-se comandado (a raiz da narrativa do Sinai).

05

Rosenzweig não reduzia a experiência religiosa a mera projeção da mente: via na Bíblia uma revelação genuína de Deus. Mas, para ele, a experiência da revelação não tinha conteúdo verbal e todas as palavras da Torá foram produzidas por seres humanos, o que mostra a influência da pesquisa bíblica moderna. Pouco lhe importava que ela desafiasse a veracidade histórica do relato, pois via o próprio ato de ler a Torá como experiência religiosa, que leva o intérprete a um encontro com Deus.

02

Outros recorreram a técnicas tradicionais de interpretação, como o midrash, que encontra sentido nos silêncios do texto bíblico. O filósofo pós-Holocausto Emil Fackenheim (1916 a 2003), refugiado dos nazistas, tratou provocativamente o Holocausto como uma segunda revelação, que ameaçava destruir a fé dos judeus em Deus mas ao mesmo tempo impunha o imperativo de permanecer fiel à aliança do Sinai, negando a Hitler uma vitória póstuma. A teóloga feminista Judith Plaskow reimagina o Sinai afastando a descrição masculina de Deus e incluindo as mulheres como parceiras plenas da revelação.

06

Para muitos judeus esses esforços são irrelevantes: alguns judeus religiosos não reconhecem os desafios da pesquisa moderna ou não os conhecem, e judeus seculares podem não ver sentido em salvar uma história que tomam por mito. Mas muitos ficam entre o compromisso com a tradição e uma orientação secularizada, e as interpretações descritas nascem da luta para integrar essas perspectivas conflitantes.

§ 03Historiografia

O que os estudiosos discutem

Posições apresentadas lado a lado, sem hierarquia, como as relata a fonte. A avaliação da fonte aparece separada.

Debate acadêmico · 01

Como judeus modernos se relacionam com a revelação do Sinai?

4 posições · sem resposta única · sentar à mesa →

  1. A

    Revelação sem conteúdo verbal (Rosenzweig)

    Franz Rosenzweig

    A Bíblia registra algo genuíno, mas importa o que a experiência provoca, não se os fatos ocorreram: todas as palavras da Torá são humanas, e ler a Torá é um encontro com Deus.

  2. B

    O Holocausto como segunda revelação (Fackenheim)

    Emil Fackenheim

    O Holocausto ameaçou destruir a fé em Deus, mas também impôs a ordem de permanecer fiel à aliança do Sinai, negando a Hitler uma vitória póstuma.

  3. C

    Mulheres como parceiras plenas da revelação (Plaskow)

    Judith Plaskow

    Recorrendo ao midrash como precedente, a teóloga reimagina o Sinai afastando a descrição masculina de Deus e incluindo as mulheres plenamente.

  4. D

    Os esforços são irrelevantes

    Judeus religiosos que não reconhecem a pesquisa e judeus seculares

    Alguns não reconhecem os desafios da pesquisa moderna; outros não veem sentido em salvar o que tomam por mito.

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Benjamin Sommer, Jewish Concepts of Scripture: A Comparative Introduction (New York: New York University Press, 2012).

    O que a Bíblia significou para os judeus em diferentes momentos · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 61

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 56inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.