Um projeto que os rabinos nem mencionam
Data
362d.C.
362 a 363 d.C.
O imperador que quis reverter a cristianização planejou reconstruir o Templo de Jerusalém, mas morreu antes; o fracasso parece ter pesado pouco na vida judaica.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
8 afirmações
Depois da revolta de Bar Kochba, muitos judeus provavelmente se viam como continuadores das tradições ancestrais. Não havia mais Templo, mas ele continuava importante, ao menos como memória e símbolo do que se perdera e talvez se recuperasse.
Juliano, imperador que as fontes cristãs apelidaram de 'o Apóstata', lançou em 362 d.C. a reconstrução do Templo. O projeto fazia parte de sua tentativa de fazer o império voltar atrás na cristianização e talvez também servisse para atrair os judeus para seu lado na guerra com a Pérsia.
No Muro das Lamentações, o que sobrou da muralha do complexo do Templo herodiano, há uma inscrição que retoma um versículo de Isaías 66: ver aquilo alegraria o coração e faria os ossos florescerem como a relva. Estudiosos acreditam que talvez date daquele momento, como reação à tentativa de restaurar o Templo.
02O fracasso
Juliano morreu antes de concluir o projeto: assassinado por um cristão ou morto em batalha, conforme a fonte que se prefira. A esperança na restauração não impediu a adaptação a um mundo sem Templo. O fracasso de Juliano parece não ter feito muita diferença: as fontes rabínicas nunca o mencionam, sinal de que a presença ou ausência do Templo já pesava pouco na vida religiosa judaica.
03A memória do Templo
Os judeus criaram costumes que mantinham viva a memória da perda do Templo, como o jejum de Tishá BeAv e a quebra de um copo nos casamentos, e continuaram a pedir em orações sua restauração, esperando-a do messias, não de governantes estrangeiros. Depois da derrota de Bar Kochba e do fracasso de Juliano, não havia perspectiva de reconstruir o Templo, mas ele seguiu modelo de culto para os rabinos: ligaram os horários das três orações diárias aos sacrifícios, adotaram o 'Amém' do Templo, respeitaram sacerdotes e levitas e mandaram rezar voltado para o Templo. Não há evidência, porém, de que tentassem reconstruí-lo: sua vida religiosa pressupunha sua ausência.
Contexto
A grande virada veio com Constantino, o Grande (324 a 337), fundador de Constantinopla. Depois de uma visão divina na véspera de uma batalha, ele e quase todos os seus sucessores usaram a legislação e o Estado para apoiar o cristianismo e reduzir a influência dos judeus. Com a exceção de Juliano (361 a 363), o cristianismo teria apoio imperial a partir do século IV.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 02Museu
Objetos e imagens
§ 05Bibliografia
Para continuar
Guy Stroumsa, The End of Sacrifice: Religious Transformations in Late Antiquity (Chicago and London: University of Chicago Press, 2009).
Transformações religiosas da Antiguidade tardia (introdução breve) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 153
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 520inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 121inspecionar
- 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 151; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 151inspecionar
- 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 124; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 124; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 520inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.
