Bar Kochba e Babatha pelas próprias palavras
Data
1961d.C.
1961 a 1962
Numa caverna do deserto da Judeia, Yigael Yadin encontrou cartas do próprio Bar Kochba e o arquivo de uma jovem viúva, Babatha: vozes raríssimas de um líder rebelde e de uma mulher judia da Antiguidade.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
6 afirmações
Durante muito tempo, Bar Kochba foi mais lenda que história. Autores gregos e romanos dizem pouco; os textos cristãos e rabínicos, escritos bem depois e já cientes do fim trágico, fazem dele um bandido e um falso messias, com muito de lendário. Nem o nome era certo: 'Filho da Estrela' (Bar Kochba), como nas fontes cristãs, ou 'Filho do Mentiroso' (Bar Kozeba), como nas rabínicas? Documentos da revolta começaram a aparecer nos anos 1950, e em 1961 e 1962 veio o maior achado: quinze cartas entre Bar Kochba e seus homens, numa caverna do deserto da Judeia onde alguns deles se esconderam. O arqueólogo Yigael Yadin a batizou de 'Caverna das Cartas'. As cartas revelam o nome verdadeiro do líder, Shimon Bar Kosiba; os outros dois eram apelidos, e Bar Kozeba, uma zombaria. Na caverna havia ainda ossadas, uma delas de criança, tecidos entre os mais antigos da época romana e os papéis de uma mulher chamada Babatha.
02O que dizem as cartas
Em duas cartas, Bar Kochba luta para manter seus homens na linha: acusa os de En-Guedi de viverem confortavelmente dos bens da 'Casa de Israel' sem se importar com os irmãos e ameaça acorrentar os pés de outros. Há quem leia nelas uma guerra em declínio, mas sem data não dá para ordená-las. Os 'galileus' citados numa delas intrigam: talvez cristãos, mas ninguém sabe ao certo.
03O arquivo de Babatha
Uma rara exceção surgiu em 1961, na mesma caverna das cartas de Bar Kochba: o arquivo de Babatha, jovem viúva judia do século II d.C., descoberto por Yigael Yadin. Os documentos, datados de 93 a 132 d.C., tratam de seus casamentos, da briga pelo sustento do filho e de seus negócios. Guardados numa fenda de uma caverna isolada, lembram como é escasso o que sobrou sobre mulheres judias na Antiguidade. A maior lacuna é a voz das mulheres, que aparecem pouco nas fontes e quase nunca falam por si. Em certos lugares talvez se esperasse que ficassem fora da vida pública: Fílon, referindo-se a Alexandria, diz que a casa é o lugar da mulher. Nada garante que fosse assim em toda parte, e nos evangelhos muitas mulheres abordam Jesus sem embaraço; esperava-se delas, porém, que cobrissem a cabeça com um manto.
Contexto
Não havia uma única maneira de ser judeu antes de 70 d.C.: tudo dependia de ser fariseu ou essênio, sacerdote ou leigo, homem ou mulher, morador de Jerusalém ou de uma aldeia galileia. Quase toda essa variedade se perdeu. As fontes escritas são obra de intelectuais ou então inscrições, papiros e moedas que registram sobretudo negócios, atos públicos e questões jurídicas.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 02Museu
Objetos e imagens
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Yigael Yadin, Bar-Kochba: The Rediscovery of the Legendary Hero of the Last Jewish Revolt Against Imperial Rome (London: Weidenfeld and Nicolson, 1971).
Bar Kochba, suas cartas e o arquivo de Babatha (fonte das traduções do quadro) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 105; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 102inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 105inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 104inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.
