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ZAKHORIUM

A fonte indispensável, e tendenciosa

Data

80d.C.

c. 80 d.C.data aproximada

Em Roma, sob a proteção dos imperadores flavianos, Josefo escreveu a única narrativa extensa do período: uma fonte em parte corroborada pela arqueologia, mas também peça de propaganda e de defesa pessoal.

Arte e culturaHistória política41.8900°N 12.4913°E
50 a.C.
50 d.C.
100 d.C.
Entre César e Deus: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

10 afirmações

01De general a historiador

Para o início do domínio romano, nenhuma fonte pesa tanto quanto Flávio Josefo. Nascido em 37 d.C., de linhagem sacerdotal e hasmoneia, ele comandou tropas judaicas na revolta de 66 d.C. e, mais tarde, passou para o lado romano. Durante o cerco de Jerusalém, Josefo trabalhou para os romanos como intérprete e intermediário. Depois de 70 d.C. instalou-se em Roma e escreveu a história da revolta, as Antiguidades judaicas (das origens bíblicas até pouco antes da guerra), Contra Apião e uma autobiografia. Os textos mais tardios parecem dos anos 90, daí a suposição de que tenha morrido por volta de 100 d.C.

02Um historiador antigo

02

Josefo não está sozinho: há Fílon de Alexandria, os Manuscritos do Mar Morto, os pseudepígrafos, menções em autores gregos e latinos e o Novo Testamento, além de ruínas como as do Templo, de Cesareia e de Massada, inscrições e moedas. Ainda assim, só ele narra em detalhe os cerca de 150 primeiros anos de domínio romano, e sem ele seria difícil articular esse material.

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Em parte, Josefo foi confirmado por outras evidências. O que ele conta dos essênios bate em vários pontos com a seita dos Manuscritos do Mar Morto; as escavações no ângulo sudoeste do Monte do Templo sustentam parte de sua descrição arquitetônica; e os achados de Massada confirmaram muito de seu relato do cerco.

06

Os critérios de Josefo eram os da historiografia greco-romana, não os atuais. Ele reproduzia fontes mais antigas sem checá-las, aceitava explicações hoje vistas como simplistas e inventava falas e detalhes para dar vida ao texto ou reforçar um argumento.

03Propaganda e sobrevivência

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A credibilidade de Josefo sofre também com seus interesses. Ele precisava rebater a acusação de traidor e agradar a Vespasiano, Tito e Domiciano, uma dinastia que se legitimava pela vitória sobre os judeus; daí o nome Flávio, tirado da família imperial, e a alegação, talvez exagerada, de que Tito aprovou seu relato. O resultado exalta Roma e põe a culpa pela perda do Templo nos rebeldes, não nos imperadores.

07

Para os autores, o viés pró-romano de Josefo também ensina algo: mostra um dos caminhos que os judeus seguiram diante da conquista, o da submissão voluntária de quem não podia vencer e não queria morrer. Em sua história da guerra, Josefo enumera povos que já tinham se curvado, como os atenienses, e conclui que um poder tão invencível só podia contar com o favor divino.

08

Hoje esses elogios soam servis, mas seguem uma tática de sobrevivência antiga, já visível no Dêutero-Isaías, que trata o persa Ciro como instrumento de Deus. E havia motivos práticos: Roma oferecia estradas e obras, paz relativa, um direito desenvolvido e garantias à religião e aos direitos dos judeus, enquanto desafiá-la era arriscadíssimo.

09

Talvez, no íntimo, judeus como Fílon e Josefo detestassem o domínio romano; ainda assim concluíram que a submissão aparente era o caminho mais seguro, e podem ter acreditado sinceramente que o poder romano vinha de Deus, que o usava para seus fins como antes usara os persas.

Contexto

Josefo não foi exceção: na Palestina (como os romanos chamavam a faixa entre o Mediterrâneo e o Jordão) e em Alexandria, muitos judeus não só aceitaram Roma como serviram a ela. Na família de Fílon, o sobrinho Tibério Júlio Alexandre chegou a governador-geral e foi o número dois de Tito no cerco de 70 d.C. O próprio Fílon via em imperadores como Augusto um reflexo das virtudes divinas.

§ 01Geografia

Onde aconteceu

Coordenadas de gazetteers (Pleiades para lugares antigos; Natural Earth e Wikidata para os modernos) sobre geografia física moderna (Natural Earth). Litorais e o Mar Morto mudaram desde a Antiguidade.
▮ carregando geografia

§ 02Museu

Objetos e imagens

Cada peça indica se é um objeto antigo, uma fotografia moderna ou uma interpretação artística posterior.

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Emil Schürer, The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ, as updated by Geza Vermes and Fergus Millar (Edinburgh: T & T Clark, 1973).

    História e cultura judaicas no período romano (obra de referência) · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 119

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 520inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 92inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 520inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91inspecionar
  7. 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 92; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 92inspecionar
  8. 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 92inspecionar
  9. 09Efron, Lehmann e Weitzman, p. 93inspecionar
  10. 10Efron, Lehmann e Weitzman, p. 92inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.