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ZAKHORIUM

Prefeitos, impostos e a Quarta Filosofia

Data

6d.C.

6 d.C.

Com a queda de Arquelau, Roma passou a governar a Judeia por meio de prefeitos, e um mestre chamado Judas proclamou que só Deus era rei, semente de uma ideologia revolucionária.

História políticaHistória religiosaHistória social e econômica31.7772°N 35.2350°E
50 a.C.
50 d.C.
100 d.C.
Entre César e Deus: cada barra é um evento do período; em coral, este.

Narrativa com fontes

Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.

10 afirmações

01Governadores de segunda linha

Afastado Arquelau, Roma mandou seus próprios administradores para a Judeia, funcionários de baixo escalão com o título de prefeito e, mais tarde, de procurador. Cruéis, corruptos e desdenhosos da tradição judaica, eles agravaram o atrito. A cronologia do livro data de 6 d.C. o início desse governo direto. Havia exceções: Fílon elogia Petrônio, governador que ajudou a evitar uma guerra sob Calígula. Em geral, porém, Pilatos parece representar bem os procuradores das décadas antes da revolta: violentos quando se tratava de manter a ordem, com poucas tropas, possivelmente corruptos e sem compreender os costumes dos judeus.

02Só Deus é rei

Parte da resistência vinha da fé: para alguns judeus, obedecer a um soberano humano era incompatível com Deus. Num levante em 6 d.C., o mestre Judas pregou que só Deus reinava e que nenhum judeu devia se submeter a um homem. Judas parece ter morrido logo no início, mas a ideia sobreviveu na chamada Quarta Filosofia, como Josefo a nomeia, que chegou viva à grande revolta e moveu grupos como sicários e zelotes. Movimentos podiam sobreviver ao fundador. Judas, o Galileu, some das fontes depois de sua revolta frustrada contra Roma em 6 d.C., mas sua influência continuava durante a guerra, décadas depois, e Atos 5,37, escrito por volta de 80 ou 90 d.C., ainda o menciona.

03Por que Roma era impopular

05

Se Roma trazia benefícios, por que tanta rejeição? O Império sabia controlar populações não só pela força, mas também pelo patronato: distribuía favores para ganhar lealdade. Com os judeus fez o mesmo: privilégios às comunidades, doações ao Templo e laços com líderes como Herodes.

06

Um imperador ameaçar o Templo era raro; afrontas locais, por descuido ou de propósito, eram frequentes, e qualquer faísca bastava. Josefo relata um tumulto enorme provocado por um único soldado romano, que deu as costas a uma multidão de judeus e soltou um ruído indecoroso na direção dela.

07

Havia também a pobreza. A economia mediterrânea sob Roma enriqueceu alguns judeus, mas empobreceu muitos: a Judeia do século I conheceu fomes e desemprego. Roma tomava terras e cobrava impostos e taxas (cerca de 30% da renda de um agricultor, segundo uma estimativa); somaram-se a fome dos anos 40, o desemprego após o fim das obras do Templo e a concentração de terras em mãos de Herodes e dos ricos. Endividados ou sem terra, alguns se vendiam como escravos, ou vendiam os filhos; outros viravam bandidos.

08

A revolta não foi um movimento camponês: havia rebeldes da elite, como o próprio Josefo. Mas razões econômicas parecem ter pesado, já que a guerra permitia livrar-se dos impostos, saquear os palácios dos ricos e pôr as mãos no tesouro do Templo.

Contexto

Não se pode generalizar a partir de Josefo. Roma conquistou a elite judaica (herodianos, sumos sacerdotes, aristocratas como Fílon) para servir de ponte com o povo; mas, fora desse círculo e até dentro dele, muitos odiavam os romanos pela crueldade, pelo descaso com a tradição e pelos impostos. Os levantes após a morte de Herodes mostram que a fórmula romana falhava. A relação com Roma variava conforme a região: os galileus parecem ter aceitado o domínio romano com um pouco mais de facilidade que os judeus da Judeia. Ainda assim, os conflitos na Judeia afetavam judeus em todo o Império.

§ 01Geografia

Onde aconteceu

Coordenadas de gazetteers (Pleiades para lugares antigos; Natural Earth e Wikidata para os modernos) sobre geografia física moderna (Natural Earth). Litorais e o Mar Morto mudaram desde a Antiguidade.
▮ carregando geografia

§ 04Rede

Conexões

§ 05Bibliografia

Para continuar

  • Shmuel Safrai and Menachem Stern, The Jewish People in the First Century, 2 vols. (Assen: Van Gorcum & Co., 1974, 1976).

    O povo judeu no século I · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 119

§ 06Aparato

Fontes desta página

  1. 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 94; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 520inspecionar
  2. 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96inspecionar
  3. 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 95inspecionar
  4. 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 114inspecionar
  5. 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96inspecionar
  6. 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96inspecionar
  7. 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96inspecionar
  8. 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96inspecionar
  9. 09Efron, Lehmann e Weitzman, p. 95; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 95inspecionar
  10. 10Efron, Lehmann e Weitzman, p. 95inspecionar
  • Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
  • Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
  • Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
  • Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
  • Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.