Um dos espetáculos mais impressionantes da época
Data
20a.C.
20 a.C.
A partir de 20 a.C., Herodes demoliu o Templo e ergueu um novo sobre uma plataforma gigantesca, projeto que ao mesmo tempo dava trabalho a milhares e reforçava sua imagem de rei piedoso.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
8 afirmações
Herodes construiu sem parar: Cesareia, a fortaleza de Massada, palácios, teatros, obras até na Grécia. Nada se compara ao Templo, cuja reforma começou em 20 a.C.: o edifício antigo veio abaixo e o novo subiu sobre uma enorme plataforma com pátios, portões, pórticos e a fortaleza Antônia. Foram 10 mil operários e anos de obra (o livro cita João), e as escavações dos muros de arrimo confirmaram o tamanho do conjunto. Poucos monumentos da época impressionavam tanto. Josefo conta que, por isso mesmo, Tito relutou em destruir o Templo, que via como um 'ornamento' do Império.
02Por que reconstruir
O apoio de Roma não bastava para tornar Herodes legítimo. Pela tradição, não tinha direito ao trono nem ao sumo sacerdócio, pois não vinha de Davi nem de Aarão; até sua condição de judeu era posta em dúvida, já que o avô idumeu se convertera à força. Casou-se em segundas núpcias com Mariamne, princesa hasmoneia, para ganhar prestígio, mas o casamento terminou com a execução dela. Jogos atléticos e arenas de estilo grego em Jerusalém irritaram os súditos de Herodes. A suspeita chegou a ponto de se acreditar que seu teatro tinha figuras humanas; o rei teve de mostrar o prédio aos críticos para provar o contrário. Vista assim, a obra do Templo servia para limpar sua imagem, como herdeiro da piedade de Salomão, e para empregar artesãos e operários durante décadas.
03O centro da vida judaica
O Templo era o coração dessa tradição. Nas três festas de peregrinação, Pessach, Shavuot e Sucot, os judeus deviam ir a Jerusalém; não se sabe se iam todo ano, mas sob Roma as multidões chegavam a dezenas de milhares, e o complexo do Templo teve de crescer para recebê-las. Já havia sinagogas, mas o culto a Deus parecia impensável sem o Templo; mesmo a comunidade do Mar Morto, crítica de sua administração, se inspirava nele e esperava vê-lo restaurado no fim dos tempos. Fílon descreve multidões de inúmeras cidades, vindas por terra e por mar de todos os pontos cardeais, que nas festas faziam amizades e se sentiam unidas. Era o ideal; na prática, havia superlotação, desordem e até motins. Quem não podia viajar contribuía com o meio siclo anual, que pagava o sacrifício diário. Para os autores, não é exagero dizer que a lealdade ao Templo era o que mantinha unidos judeus espalhados e separados por geografia, política e economia.
Contexto
Havia também a pobreza. A economia mediterrânea sob Roma enriqueceu alguns judeus, mas empobreceu muitos: a Judeia do século I conheceu fomes e desemprego. Roma tomava terras e cobrava impostos e taxas (cerca de 30% da renda de um agricultor, segundo uma estimativa); somaram-se a fome dos anos 40, o desemprego após o fim das obras do Templo e a concentração de terras em mãos de Herodes e dos ricos. Endividados ou sem terra, alguns se vendiam como escravos, ou vendiam os filhos; outros viravam bandidos. Em parte, Josefo foi confirmado por outras evidências. O que ele conta dos essênios bate em vários pontos com a seita dos Manuscritos do Mar Morto; as escavações no ângulo sudoeste do Monte do Templo sustentam parte de sua descrição arquitetônica; e os achados de Massada confirmaram muito de seu relato do cerco.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 02Museu
Objetos e imagens
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Nenhuma leitura específica registrada para este evento.
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 93; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 520inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 93inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 93inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 93inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 105inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 107; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 108inspecionar
- 07Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 96inspecionar
- 08Efron, Lehmann e Weitzman, p. 91inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.
