Justiça por correspondência
Data
750d.C.
750 a 1040
As academias de Sura e Pumbedita, que também eram supremo tribunal, reuniam estudiosos nos kallot e afirmavam sua autoridade à distância por meio das responsa, até se dissolverem por volta de 1040.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
6 afirmações
01O que faziam as academias
No coração da cultura rabínica babilônica estavam as academias de Sura e Pumbedita, que serviam também de suprema corte. Competiam, como na controvérsia do calendário, pela lealdade das comunidades do mundo todo com a yeshivá de Tiberíades, que passou a Jerusalém no século X.
Duas vezes por ano, no fim do inverno e no fim do verão, as academias babilônicas promoviam as kallot ('assembleias'), a que acorriam estudiosos de todos os lados com doações de suas comunidades, na esperança de receber dos Gueonim títulos honoríficos.
A cronologia registra que Sherira presidiu a academia de Pumbedita como Gaon de 968 a 998 e que Hai, seu sucessor na lista, a presidiu de 998 a 1038.
02Responsa e autoridade
A prática gaônica das responsa (singular: responsum) talvez fosse o melhor meio de um Gaon exercer autoridade em grandes distâncias: uma 'justiça por correspondência', em que ele redigia um parecer jurídico em resposta a uma consulta específica e assim criava um precedente. A responsum é desde então um componente importante da lei judaica, tratando de ordem das orações, leis alimentares, casamento e divórcio, danos pessoais e responsabilidade comercial. Com o prestígio dos Gueonim, as responsa ligavam as comunidades mais remotas, que podiam usar seus argumentos para decidir sobre orações, negócios, divórcios, dotes e heranças. Manter essa correspondência a longas distâncias devia muito ao império islâmico, que uniu a imensa maioria dos judeus medievais sob um sistema jurídico comum e uma cultura de língua árabe compartilhada.
03O fim das academias
Quando as academias babilônicas se extinguiram, por volta de 1040, a tradição rabínica babilônica já dominava a cultura judaica medieval até o Norte da África e a Espanha.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Robert Brody, The Geonim of Babylonia and the Shaping of Medieval Jewish Culture (New Haven, CT: Yale University Press, 1998).
Estudo do período geônico, pouco documentado · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 181
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 161; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 161inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 161; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 161; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 161inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 521inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 163inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.