Migração de leste a oeste e domínio do Talmude babilônico
Data
871d.C.
fim do século IX e século X a 1103data aproximada
No fim do século IX e no século X muitos judeus migraram do Iraque e da Pérsia para o Egito, o Norte da África e a Espanha, levando consigo a tradição babilônica, que passou a dominar a cultura judaica medieval.
Narrativa com fontes
Cada bloco é uma afirmação verificável. O número abre a página citada; blocos em âmbar ou coral sinalizam tradição ou interpretação contestada.
6 afirmações
01Para o oeste
No fim do século IX e no X houve uma migração considerável de judeus das terras islâmicas orientais (Pérsia e Iraque) para o oeste, para o Egito, o Norte da África e a Espanha muçulmana, em paralelo ao deslocamento do poder político para centros emergentes como o Cairo, Qayrawan e Córdoba. Os babilônios levaram consigo suas tradições e ajudaram a difundir o judaísmo rabínico babilônico. O geógrafo muçulmano al-Maqdisi (m. por volta de 990) observou que Fustat, a velha Cairo, havia 'superado' Bagdá e se tornado a maior glória dos muçulmanos.
02O Talmude babilônico como padrão
A influência dos Gueonim babilônios sobre a diáspora foi enorme. Sinal de seu sucesso: Isaac ben Jacob Alfasi (1013 a 1103), erudito rabínico do Norte da África, decidiu que, em caso de divergência entre o Talmude palestino e o babilônico, o segundo teria precedência. O palestino seguiu sendo fonte autorizada, mas hoje 'o Talmude' quer dizer o babilônico.
Os historiadores costumam ligar o predomínio da tradição babilônica à dinâmica política: os Gueonim estavam no centro do império depois que os abássidas fixaram ali sua capital. Não há evidência de que a proximidade física dos califas ampliasse seu poder político, mas estar no núcleo político, cultural e comercial só podia ampliar seu alcance, ao passo que a Palestina era uma província periférica.
Em parte, porém, a difusão e o predomínio da escola babilônica ligaram-se, ironicamente, ao declínio do poder abássida e das próprias academias babilônicas.
Contexto
Quando as academias babilônicas se extinguiram, por volta de 1040, a tradição rabínica babilônica já dominava a cultura judaica medieval até o Norte da África e a Espanha.
§ 01Geografia
Onde aconteceu
§ 03Historiografia
O que os estudiosos discutem
Debate acadêmico · 01
Por que a tradição talmúdica babilônica se tornou dominante?
2 posições · sem resposta única · sentar à mesa →
- A
A proximidade do centro do império
Os historiadores em geral, segundo os autores
Com os abássidas, a Babilônia passou a abrigar a capital, e estar no polo político, cultural e comercial ampliava o alcance dos Gueonim, enquanto a Palestina era um recanto provinciano.
- B
Também o declínio do poder abássida e das academias
Efron, Lehmann e Weitzman
Os autores ressalvam que não há evidência de que a proximidade dos califas tenha aumentado o poder político dos Gueonim, e notam, com ironia, que o domínio babilônico também se ligou ao declínio abássida e das próprias academias.
§ 04Rede
Conexões
§ 05Bibliografia
Para continuar
Robert Brody, The Geonim of Babylonia and the Shaping of Medieval Jewish Culture (New Haven, CT: Yale University Press, 1998).
Estudo do período geônico, pouco documentado · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 181
Shlomo Dov Goitein, A Mediterranean Society: The Jewish Communities of the Arab World as Portrayed in the Documents of the Cairo Genizah, 6 vols. (Berkeley: University of California Press, 1967–1993).
Obra clássica em seis volumes sobre as comunidades judaicas do mundo árabe a partir da Genizá do Cairo · recomendado em Efron, Lehmann e Weitzman, p. 181
§ 06Aparato
Fontes desta página
- 01Efron, Lehmann e Weitzman, p. 163; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 163inspecionar
- 02Efron, Lehmann e Weitzman, p. 163inspecionar
- 03Efron, Lehmann e Weitzman, p. 163inspecionar
- 04Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162inspecionar
- 05Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162; Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162inspecionar
- 06Efron, Lehmann e Weitzman, p. 162inspecionar
- Evidência documentadaAtestado por evidência da própria época: textos, inscrições, moedas, papiros ou arqueologia.
- Reconstrução acadêmicaInferência dos historiadores a partir de evidência indireta.
- Tradição ou narrativaRelato literário, tradicional ou religioso; importante em si, mas não verificado de forma independente.
- Interpretação contestadaEstudiosos discordam explicitamente; veja as posições em debate.
- Reconstrução ilustrativaHipótese ou esquema visual para orientar a leitura; não é afirmação histórica.